Sou um homem partido ao meio. Do que vejo pelo espelho, já não sei se trata de vaso em branco, esperando pela vida crescendo em suas Ou então um pôster rasgado de uma atração passada, em alguma rua da cidade. Sou e não sou administrador; professor; artista plástico; ilustrador; fotógrafo Filho, homem de casa, homem do mundo, pessoa livre, amigo, profissional... O ceticismo tem batido em minha porta, pedindo que eu apenas siga em frente, Utilizando a metade certa de acordo com cada circunstância. E a fé... Sussurra para que eu não esqueça o porquê das coisas, enquanto procuro agulha e linha. Capazes de costurar o que talvez nunca tenha feito parte de uma coisa só...
Por quê catzo eu me pego pensando sobre o sufixo de empresa uma hora dessas???
Primeiro post do ano, um pouco sem tempo para conseguir concatenar as coisas, que aliás engataram uma progressão geométrica que está fogo. Vindo aqui para constar que do nada passou a me incomodar uma questão sobre fazer parte, para onde estou seguindo ou o que quero construir. Tem ficado a impressão de que não basta fazer a sua parte, você precisa estar anexo à realidade e talvez, ser um espelho dela... Só impressão mesmo... questionando sobre o "fazer a minha parte" e o "fazer parte"... Dia desses alguém me disse: - Não tenha medo de falar de sua tribo Me peguei lembrando disso ontem, o problema é que daí começo a refletir qual a função de alguém de certa tribo em lugares onde suas raizes não contam, tampouco crescem?
Fica combinado o compromisso de uma vida mais simples.
De saber escolher nossas brigas e em quais delas lutar até o fim.
Fica combinado um tentar não esquecer que a vida surge em meio à escolhas e que, saber dar a prioridade devida para cada assunto (assim como escolher para quais olhar) pode não ser dom, mas é algo que pode ajudar no sentimento de 'valeu a pena' no fim da jornada.
Fica combinada a manutenção de valores, financeiros e não, sem abrir mão da simplicidade pé no chão ou da própria identidade. Que a mochila sempre tenha espaço para algo novo, ainda que seja necessário deixar parte da bagagem no caminho.
Que tenhamos coragem para os próximos passos, força para seguir em frente, vontade para não desistir, fé para continuar acreditando, amigos (de todos os tipos, mas da melhor qualidade possível) com quem dividir e, um céu limpo, que beija o horizonte para olharmos para as estrelas e sonharmos com algo maior que nós...
Hoje acordo um pouco mais pegas do que o normal. Lá fora chove uma garoa final, o metrô até que está em uma velocidade decente e cá estou, com o caderno na mão, esboçando um último post deste ano tr~es. Saio deste rio sem nem lembrar direito como era antes. A devoção às reticências perdura, já no resto, fica a impressão de que as palavras não são as mesmas, embora o discurso esteja talvez um pouco diferente. Comecei o ano com o plano B, tomando coragem para encarar uma demissão e a decisão de que parar por um ano seria a melhor escolha para não repetir erros antigos e focar em um projeto por vez. Termino o ano na véspera da qualificação, com meia dúzia de planos já engatados para o ano que vem, um certo ar de muito obrigado e mais do que nunca com a impressão de que talvez seja isso mesmo, o caminho que se faz sob os pés do caminhante...
Este ano aprendi que a vida tem um quê de Veneza. Vielas apertadas, pontes e becos que trazer um ar de "vish estou perdido", mas te instigam relaxar um pouco e continuar o caminho. Eventualmente você se deparará com becos cortados por canais menores, que do outro lado da margem apontarão para ruas por onde você já passou. Acontece que há certa riqueza melancólica em olhar para estas ruas já percorridas. Há também o risco em compararmos o lado de lá do canal com o de cá, pois independente de quão bacana foi o, sua visão atual da cidade também é fruto das coisas que você viu entre a saída de lá e o percurso que te levou até aqui. Não sei se algum dia entenderei isso... mas na falta de um entendimento, eu saco a máquina, tiro uma foto e guardo lá todo o carinho, criando uma realidade alternativa onde eu talvez não tenha saído daquele lado, tenha fincado raízes e aproveitado cada segundo da boa história. Então, eu tampo a lente, me despeço e sigo em frente, grato por ter revivido algo bacana, mesmo do lado de fora.
Existem várias formas de me entender. Por meio das músicas é uma delas... =)
Música+arte=Alimento para a minha combustão!
Bom domingo a todos!
